A educação infantil, enquanto primeira etapa da educação básica, constitui-se como um espaço privilegiado de desenvolvimento integral da criança, exigindo práticas pedagógicas que considerem sua singularidade, linguagem e formas de expressão. Nesse contexto, a escuta sensível emerge como um princípio fundamental para a construção de relações educativas mais humanizadas e significativas. O presente artigo tem como objetivo analisar o papel da escuta sensível na educação infantil, articulando contribuições teóricas da pedagogia da infância, da psicologia histórico-cultural e das abordagens contemporâneas da educação. A pesquisa fundamenta-se em revisão bibliográfica, mobilizando autores como Vygotsky, Freire, Rinaldi e Barbosa, além de documentos oficiais como a BNCC. Argumenta-se que a escuta sensível ultrapassa a dimensão técnica da comunicação, configurando-se como postura ética e política do educador, capaz de reconhecer a criança como sujeito de direitos e protagonista de sua aprendizagem. Além disso, discute-se como práticas pedagógicas baseadas na escuta favorecem o desenvolvimento da autonomia, da linguagem e das interações sociais. Conclui-se que a efetivação da escuta sensível demanda mudanças estruturais na formação docente e na organização do trabalho pedagógico, apontando para a necessidade de uma educação infantil comprometida com a infância em sua pluralidade e complexidade.