O funeral do caçador: caça e perigo na Amazônia

Anuário Antropológico

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Telefone: (61) 3107-7299
ISSN: 1024302
Editor Chefe: Soraya Resende Fleischer
Início Publicação: 30/06/1976
Periodicidade: Quadrimestral
Área de Estudo: Antropologia

O funeral do caçador: caça e perigo na Amazônia

Ano: 2012 | Volume: Especial | Número: 2
Autores: Uirá F. Garcia
Autor Correspondente: A. S. Lobo | [email protected]

Palavras-chave: Awá-Guajá, caça, queixada, ha’aera , pãnẽmũhũm

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

O artigo a seguir discute o paralelismo entre caça, guerra e saúde, enfatizando as atividades de um pequeno grupo de caçadores, habitantes da porção noroeste do estado do Maranhão, os Awá-Guajá.Partindo de um episódio ocorrido no ano de 2008 na aldeia Juriti – que reveou aspectos importantes para a presente discussão – a caça e suas implicações guerreiras serão exploradas aqui segundo a etiologia das doenças e através das noções de ha’aera e pãnẽmũhũm, elementos que regem boa parte da relação entre caçadores e presas. Apresento um universo de agressões morais sofridas por caçadores e discuto uma sintomatologia particular só passível de entendimento quando são reveladas as concepções awá-guajá
sobre a pessoa humana e as relacionamos com o universo da floresta, em geral, e a zoologia das presas, em particular. Argumento que as agressões físicas e morais dos animais à vida humana são centrais
para o entendimento do que se configura como a “caça awá-guajá”, sendo o conhecimento sobre a origem de tais agressões (que acarretam sorte e azar; saúde e doença) parte importante do conjunto de saberes que regem a relação entre humanos e animais.