Ney Matogrosso:performance visual, corpo e gênero em Fala e O Vira na ditadura

Lumina

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Telefone: (32) 2102-3601
ISSN: 19814070
Editor Chefe: Gabriela Borges Martins Caravela
Início Publicação: 31/05/2007
Periodicidade: Quadrimestral
Área de Estudo: Comunicação

Ney Matogrosso:performance visual, corpo e gênero em Fala e O Vira na ditadura

Ano: 2026 | Volume: 20 | Número: Não se aplica
Autores: Carlos Augusto Pereira dos Santos Júnior, Pedro Silva Marra
Autor Correspondente: Carlos Augusto Pereira dos Santos Júnior, Pedro Silva Marra | [email protected]

Palavras-chave: música, voz, corpo, Comunicação, performance

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

Este artigo analisa a performance vocal e corporal de Ney Matogrosso nas canções Fala e O Vira, lançadas em 1973 pelo grupo Secos & Molhados, no contexto da ditadura militar no Brasil (1964-1985). A pesquisa parte das noções de "performance vocal" (Napolitano, 2001; Reily, 2022; Maia; Stankiewicz, 2015; Schroeder, 2010) e "performance corporal e visual" (Domenici, 2013; Gonçalves, 2004; Berger, 1977), propondo uma leitura que articula música, corpo e política a partir dos estudos de gênero e mídia. A análise foca na subversão de normas de gênero e sexualidade expressa nos gestos, na presença cênica e na voz andrógina de Ney Matogrosso, cuja estética performática desafiou os padrões heteronormativos vigentes durante o regime autoritário. Além disso, também se analisam as canções a partir de sua letra, melodia e pelas performances corporais encenadas por Ney à época. A abordagem, além de outros intuitos, busca compreender como tais elementos performáticos se constituíram como formas de resistência simbólica e estética frente à repressão do período, revelando o potencial político das expressões artísticas. A proposta se insere em um campo interdisciplinar, entre artes, comunicação e ciências humanas, contribuindo para os debates sobre gênero, visibilidade dissidente e os limites da censura durante a ditadura militar brasileira.



Resumo Inglês:

This article analyzes Ney Matogrosso’s vocal and bodily performance in the songs Fala and O Vira, released in 1973 by the band Secos & Molhados, within the context of the Brazilian military dictatorship (1964–1985). The research draws on the notions of “vocal performance” (Napolitano, 2001; Reily, 2022; Maia; Stankiewicz, 2015; Schroeder, 2010) and “bodily and visual performance” (Domenici, 2013; Gonçalves, 2004; Berger, 1977), proposing an analytical approach that articulates music, the body, and politics through the lens of gender and media studies. The focus lies on the subversion of gender and sexuality norms as expressed in Ney Matogrosso’s gestures, stage presence, and androgynous voice, whose performative aesthetics challenged the heteronormative standards upheld by the authoritarian regime. In addition, the songs are also examined through their lyrics, melodies, and the bodily performances enacted by Ney at the time. Beyond other aims, the study seeks to understand how such performative elements constituted symbolic and aesthetic forms of resistance to the repression of that period, revealing the political potential of artistic expression. This proposal belongs to an interdisciplinary field that bridges the arts, communication, and the humanities, contributing to debates on gender, dissident visibility, and the limits of censorship during Brazil’s military dictatorship.



Resumo Espanhol:

Este artículo analiza la performance vocal y corporal de Ney Matogrosso en las canciones Fala y O Vira, publicadas en 1973 por el grupo Secos & Molhados, en el contexto de la dictadura militar brasileña, desarrollada entre 1964 y 1985. La investigación parte de las nociones de «performance vocal» (Napolitano, 2001; Reily, 2022; Maia; Stankiewicz, 2015; Schroeder, 2010) y «performance corporal y visual» (Domenici, 2013; Gonçalves, 2004; Berger, 1977), proponiendo una lectura que articula música, cuerpo y política desde los estudios de género y de los medios de comunicación. El análisis se centra en la subversión de las normas de género y sexualidad expresada mediante los gestos, la presencia escénica y la voz andrógina de Ney Matogrosso, cuya estética performática desafió los patrones heteronormativos vigentes durante el régimen autoritario. Asimismo, se examinan las canciones a partir de sus letras, melodías y performances corporales escenificadas por el artista en aquel período. Entre otros objetivos, el enfoque busca comprender cómo esos elementos performáticos se constituyeron en formas de resistencia simbólica y estética frente a la represión, revelando el potencial político de las expresiones artísticas. La propuesta se inscribe en un campo interdisciplinario situado entre las artes, la comunicación y las ciencias humanas, contribuyendo a los debates sobre género, visibilidad disidente y límites de la censura durante la dictadura militar brasileña.