O artigo contempla em Michael Cimino uma reformulação do problema, constitutivo do cinema moderno, de acreditar neste mundo. Uma revisão dos cinemas da revelação oferece um corpus de referência ao artigo, cujo corpus de análise compõe-se dos sete longa-metragens de Cimino. Para um conceito consistente de crença, consultamos Søren Kierkegaard, que distingue a sensualidade, a resignação e a fé como três modos de relação ao mundo. Em vez de demonstrativos de um conceituário prévio, os movimentos de Cimino acabarão sugerindo passagens e (de)gradações entre os modos de existência concebidos em filosofia. Tendo descrito um conjunto de movimentos dramáticos decisivos, a análise surpreenderá a recorrência de uma crença planetária que, disparada por amizades na deserção, também se exprime em uma arte das exalações centrífugas, aos níveis do quadro e do plano, e dos paralelismos divergentes, ao nível da montagem.