Meu corpo é minha casa: visita ao romance A gorda, de Isabela Figueiredo Autores

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ISSN: 2316-6134
Editor Chefe: Ida Alves
Início Publicação: 15/05/2024
Periodicidade: Semestral
Área de Estudo: Linguística, Letras e Artes, Área de Estudo: Artes, Área de Estudo: Letras

Meu corpo é minha casa: visita ao romance A gorda, de Isabela Figueiredo Autores

Ano: 2026 | Volume: 37 | Número: 56
Autores: Rosemary Gonçalo Afonso
Autor Correspondente: Rosemary Gonçalo Afonso | [email protected]

Palavras-chave: padrão de beleza feminina, interseccionalidade, literatura portuguesa, Isabela Figueiredo

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

O artigo apresenta uma análise do romance A gorda, de autoria da escritora portuguesa Isabela Figueiredo e publicado pela primeira vez em 2016. Seguindo a estrutura do próprio texto, os cômodos da casa da protagonista são o fio condutor para o conhecimento de um corpo e do que ele representa: um corpo gordo que torna a personagem vítima da opressão exercida por um padrão de beleza quase sempre inalcançável, numa sociedade gordofóbica e excludente. Articulamos as experiências descritas na narrativa com os discursos que constroem um imaginário negativo em relação a quem se afasta do referido padrão, tendo o apoio dos teóricos Georges Vigarello, com As metamorfoses do gordo: história da obesidade, Naomi Wolf, com Mito da beleza, e Silvia Federici, com Calibã e a bruxa. E porque os elementos de depreciação do indivíduo precisam ser entendidos no seu conjunto e não de forma isolada, tendo em conta o conceito de interseccionalidade, consideramos o gênero e a condição de “retornada” da personagem, visto ser ela uma portuguesa nascida em solo africano que “volta” à metrópole em virtude da iminência da independência de Moçambique. Na observação desses aspectos contribuem os teóricos Patricia Hill Collins, Eduardo Lourenço, Jorge da Silveira, dentre outros.



Resumo Inglês:

This article presents an analysis of the novel A gorda (The fat woman), by the Portuguese writer Isabela Figueiredo, first published in 2016. Following the structure of the text itself, the rooms of the protagonist’s house serve as a guiding thread for understanding a body that is observed without seeking to know; a fat body that makes the character a victim of the oppression exerted by an almost always unattainable beauty standard in a fatphobic and exclusionary society. We articulate the experiences described in the narrative with the discourses that construct a negative imaginary in relation to those who deviate from this standard, drawing on the work of theorists Georges Vigarello, with As metamorfoses do gordo: história da obesidade (The metamorphoses of the fat: a history of obesity), Naomi Wolf, with Mito da beleza (The beauty myth), and Silvia Federici, with Calibã e a bruxa (Caliban and the Witch). As the elements that depreciate the individual need to be understood as a whole and not in isolation, taking into account the concept of intersectionality, we consider the gender and the character’s status as a “returnee”, since she is a Portuguese woman born on African soil who “returns” to the metropolis due to the imminent independence of Mozambique. Theorists Patricia Hill Collins, Eduardo Lourenço and Jorge da Silveira, among others, contribute to the observation of these aspects.



Resumo Francês:

Cet article propose une analyse du roman *A Gorda* (La Grosse Femme) de l'écrivaine portugaise Isabela Figueiredo, paru en 2016. Suivant la structure même du texte, les pièces de la maison de la protagoniste servent de fil conducteur pour comprendre un corps et ce qu'il représente : un corps obèse qui fait d'elle une victime de l'oppression exercée par un idéal de beauté quasi inaccessible dans une société grossophobe et excluante. Nous mettons en perspective les expériences décrites dans le récit avec les discours qui construisent un imaginaire négatif à l'égard de celles et ceux qui s'écartent de cet idéal, en nous appuyant sur les travaux des théoriciens Georges Vigarello (*Les Métamorphoses de la grosse*), Naomi Wolf (*Le Mythe de la beauté*) et Silvia Federici (*Caliban et la Sorcière*). Parce que les éléments qui dévalorisent l'individu doivent être appréhendés dans leur ensemble et non isolément, et compte tenu du concept d'intersectionnalité, nous prenons en considération le genre et le statut de « revenante » du personnage, puisqu'il s'agit d'une Portugaise née en Afrique qui « retourne » dans la métropole en raison de l'indépendance imminente du Mozambique. Les travaux de Patricia Hill Collins, Eduardo Lourenço et Jorge da Silveira, entre autres, contribuent à l'analyse de ces aspects.