LICENCIAMENTO AMBIENTAL E ETNODESENVOLVIMENTO INDÍGENA

Revista da Defensoria Pública da União

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ISSN: 24484555
Editor Chefe: Erico Lima de Oliveira
Início Publicação: 18/10/2018
Periodicidade: Semestral

LICENCIAMENTO AMBIENTAL E ETNODESENVOLVIMENTO INDÍGENA

Ano: 2025 | Volume: 24 | Número: 24
Autores: Juliana Ribeiro Rocha Dória, José Ricardo Britto Seixas Pereira Júnior
Autor Correspondente: Juliana Ribeiro Rocha Dória | [email protected]

Palavras-chave: licenciamento ambiental, etnodesenvolvimento indígena, bens comuns, igualdade material

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

Diante da demanda pela realização de atividades produtivas comerciais no

interior de terras indígenas, este trabalho examina a legislação relacionada

ao licenciamento ambiental de empreendimentos cujos proponentes sejam

indígenas ou suas associações. Por meio do método hipotético-dedutivo,

busca-se responder ao seguinte problema de pesquisa: a legislação brasileira

atual é capaz de regular o licenciamento ambiental dos empreendimentos

em questão? O objetivo do estudo é avaliar a necessidade de edição de

regulamentos específicos para o licenciamento ambiental de empreendimentos

de iniciativa indígena com vistas à promoção de seu etnodesenvolvimento.

Para tanto, a pesquisa usa como referencial teórico tanto a doutrina acerca

do licenciamento ambiental e do direito indígena como a jurisprudência dos

tribunais superiores sobre o tema, além da legislação nacional e de bases de

dados oficiais. O artigo aprofunda-se no contexto dos povos indígenas no

Brasil, explorando as especificidades culturais e as condições socioeconômicas

dessas comunidades. São discutidos os desafios enfrentados pelos povos

indígenas ao buscarem promover o etnodesenvolvimento em suas terras por

meio de atividades produtivas, especialmente diante da complexidade do

processo de licenciamento ambiental. Embora algumas propostas defendam

a criação de normas específicas para atender a essas comunidades, o estudo 

conclui que a legislação ambiental vigente é suficiente e adequada para lidar

com os empreendimentos indígenas. Por fim, o trabalho ressalta que, ao se

aplicar corretamente as normas existentes, é possível garantir o equilíbrio entre

a preservação ambiental e o desenvolvimento sustentável das comunidades

indígenas, respeitando suas tradições culturais e assegurando igualdade

material no processo de licenciamento ambiental.



Resumo Inglês:

Given the demand for commercial productive activities within indigenous

lands, this paper examines the legislation on environmental licensing for projects

proposed by indigenous individuals or associations. Using the hypothetico-

deductive method, it adressess the following research problem: is the current

Brazilian legislation capable of regulating the environmental licensing of

these projects? The study aims to assess the the need for establishing specific

regulations for the environmental licensing of indigenous-led enterprises with

a view toward promoting their ethnodevelopment. To this end, the research

uses as theoretical framework both the doctrine regarding environmental

licensing and indigenous rights, as well as the jurisprudence of higher courts

on the subject, in addition to national legislation and official databases. The

research delves into the context of indigenous peoples in Brazil, exploring the

cultural specificities and socioeconomic conditions of these communities. The

challenges faced by indigenous peoples in promoting ethnodevelopment on

their lands through productive activities are discussed, particularly in light

of the complexity of the environmental licensing process. Although some

propositions advocate for the creation of specific norms to address the needs

of these communities, the study concludes that the current environmental

legislation is sufficient and adequate to address indigenous enterprises. Finally,

the work highlights that, by correctly applying existing regulations, it is possible

to ensure a balance between environmental preservation and the sustainable

development of indigenous communities, respecting their cultural traditions

and ensuring material equality in the environmental licensing process.