O artigo explora a inventio de uma ontologia trinitária por parte dos Padres da Igreja, com especial atenção ao Concílio de Niceia de 325 e aos concílios ecumênicos subsequentes. Essa ontologia trinitária, profundamente enraizada na Revelação Cristã, permitiu superar as aporias da metafísica clássica, em particular no que diz respeito à relação entre o ser divino e o mundo criado, e à natureza da própria relação. Na passagem dos apologistas a Orígenes, através da subsequente crise ariana e da releitura de Atanásio pelos Capadócios, mostra-se a passagem da posição de Ário, para quem o Logos era uma mera criatura cuja existência seria funcional à relação entre substâncias distintas, Deus e o mundo, à introdução de um novo princípio de individuação baseado na relação e delineando uma nova ontologia, adverbial e preposicional, porque relacional.