Objetivo: analisar o perfil epidemiológico das internações pediátricas por hérnia inguinal no Brasil entre 2014 e 2023. Métodos: estudo ecológico, descritivo e quantitativo baseado em dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS entre 2014 e 2023, analisou variáveis demográficas, regionais e de atendimento (idade, sexo, região e caráter da internação). Resultados: ocorreram 248.215 internações por hérnia inguinal no período. O Sudeste concentrou 37% dos casos, seguido pelo Nordeste (30,8%). A faixa etária mais afetada foi de 1 a 4 anos (37%), seguida por 5 a 9 anos (27,1%). Meninos representaram 75,5% das internações. O atendimento eletivo predominou (80,2%), enquanto crianças menores de 1 ano apresentaram maior proporção de internações de urgência (38%). Durante a pandemia de COVID-19, cirurgias eletivas reduziram, sem aumento significativo das urgências, exceto em menores de 1 ano. Conclusão: os achados destacam a importância de priorizar cirurgias precoces em lactentes do sexo masculino, devido ao maior risco de complicações. O predomínio de internações eletivas nos últimos 10 anos sugere a eficiência desse manejo, com menor tempo de internação e redução de custos. O estudo contribui para o planejamento orçamentário em um cenário de restrições, otimizando a assistência pediátrica no SUS. A triagem de urgências em populações de risco não elevou os encarceramentos e reduziu a demanda no sistema público durante a pandemia da COVID-19.
Objective: to analyze the epidemiological profile of pediatric hospitalizations for inguinal hernia in Brazil from 2014 to 2023. Methods: Ecological, descriptive, and quantitative study using data from the Brazilian Hospital Information System (SIH/SUS). Demographic, regional, and healthcare-related variables were evaluated, including age, sex, region, and type of hospital admission. Results: a total of 248,215 hospitalizations were recorded. The Southeast region accounted for 37% of cases, followed by the Northeast (30.8%). The age group most affected was 1 to 4 years (37%), followed by 5 to 9 years (27.1%). Males represented 75.5% of cases. Elective admissions predominated (80.2%), while infants under 1 year had a higher proportion of emergency hospitalizations (38%). During the COVID-19 pandemic, elective surgeries declined without a notable increase in emergencies, except in infants under 1 year of age. Conclusion: the results highlight the need to prioritize early surgical treatment in male infants due to the higher risk of complications. The predominance of elective admissions over the last decade reflects the efficiency of this approach, contributing to reduced hospital stays and lower costs. These findings support strategic healthcare planning in resource-limited settings, helping optimize pediatric surgical care in the Brazilian public health system. Emergency triage in high-risk populations effectively prevented increased incarceration rates and mitigated system overload during the COVID-19 pandemic.