O enigma dos duplos assombra a relação entre o medo e o ser humano ininterruptamente ao longo da história. Uma presença íntima e inquietante, o medo opera como força simbólica nas narrativas orais de assombração, construindo sentidos a partir da suspensão da normalidade. Este artigo investiga, a partir de duas histórias recolhidas na comunidade rural de Antonópolis, em Jaguaruana-CE, como medo e noite se entrelaçam na produção do assombro, especialmente por meio de aparatos simbólicos como as “horas abertas”, momentos como a meia-noite e o meio-dia em que o tempo parece aproximar o fantástico do cotidiano. Nessas narrativas, o medo, como duplo do sujeito, emerge como operador central das formas populares de narrar, sentir e habitar o tempo.
The enigma of doubles haunts the relationship between fear and human beings throughout history. An intimate and disturbing presence, fear operates as a symbolic force in oral haunting narratives, constructing meanings from the suspension of normality. This article investigates, based on two stories collected in the rural community of Antonópolis, in Jaguaruana-CE, how fear and night intertwine in the production of haunting, especially through symbolic devices such as “open hours,” moments such as midnight and noon when time seems to bring the fantastic closer to everyday life. In these narratives, fear, as the subject's double, emerges as a central operator of popular ways of narrating, feeling, and inhabiting time.