A presente pesquisa busca verticalizar a investigação sobre questões de gênero evidenciadas por meio da análise de processos trabalhistas da Junta de Conciliação e Julgamento de Itacoatiara nas décadas de 1970 e 1980, trazendo enfoque adicional para a análise de casos envolvendo trabalhadoras domésticas no período. A partir da problematização de trajetórias de trabalhadoras em lutas e demandas na justiça trabalhista no interior do estado Amazonas, procura-se refletir sobre perspectivas táticas de organização e resistência como cultura solidária de gênero naquele momento e lugar social, destacando os desafios específicos enfrentados pelas trabalhadoras domésticas, o mais das vezes marginalizadas e desprotegidas pelo sistema judicial. Trata-se aqui de formas de invenção de democracia e direitos, o que ao fim e ao cabo institui formas de justiça e mesmo alargamento de limites sociais de atuação do próprio foro trabalhista na região, contribuição fundamental para o reconhecimento, mais recentemente, das trabalhadoras domésticas no escopo das políticas trabalhistas e de gênero. O conjunto documental previamente levantado indica a possibilidade de discussão e compreensão de temas acerca da reivindicação e consolidação do direito das mulheres por criação de resistências que apontam para uma cultura amazônica de diálogos sociais constituídos de dentro de modos próprios de viver e de trabalhar, incluindo as especificidades do trabalho doméstico e esforços para obter reconhecimento e proteção legal nesse meio. Procura-se nesta pesquisa revalorizar as experiências comuns e coletivas de trabalhadoras domésticas no espaço da Justiça, como sujeitos históricos que apostam em seu direito de participação social, por condições de igualdade social, econômica e de gênero no mundo do trabalho.
This research sought to vertically investigate gender issues highlighted through the analysis of labor proceedings filed with the Itacoatiara Conciliation and Judgment Board in the 1970s and 1980s, bringing additional focus to the analysis of cases involving domestic workers during this period. By problematizing the trajectories of workers in struggles and demands in labor justice in the interior of the state of Amazonas, we sought to reflect on the tactical dimensions of organization and resistance as a culture of gender solidarity at that time and in that social context, highlighting the specific challenges faced by domestic workers, who were often marginalized and unprotected by the judicial system. These perspectives address the invention of democracy and rights, which ultimately establish forms of justice and even broaden the social boundaries of the labor courts themselves in the region, a fundamental contribution to the more recent recognition of domestic workers within the scope of labor and gender policies. The previously reviewed set of documents indicates the possibility of discussing and understanding issues surrounding the demand for and consolidation of women's rights through the creation of resistance that points to an Amazonian culture of social dialogues formed within specific ways of living and working, including the specificities of domestic work and efforts to obtain recognition and legal protection in this field. This research sought to revalue the common and collective experiences of domestic workers in the justice system, as historical subjects who advocate for their right to social participation and for conditions of social, economic, and gender equality in the world of work.