Este artigo investiga como o relato da intimidade nacional no pensamento social brasileiro foi estruturado por uma gramática háptica-sônica oriunda da colonização, na qual o toque masculino branco instrumentaliza o corpo de mulheres negras e indígenas para acumular poder, sensibilidade e identidade. A partir das obras O povo brasileiro ([1995] 2012) e Mestiço que é Bom! (1997), de Darcy Ribeiro, articuladas com Gilberto Freyre ([1933] 2003), analiso como a mestiçagem é narrada não como violência, mas como gesto civilizatório, afetivo e fundador do povo brasileiro. Argumenta-se que relatos de desejo e acesso sexual a mulheres não-brancas, frequentemente narrados com humor e condescendência, são atualizações de uma soberania tátil que as coopta como superfície sensível, propriedade e vetor afetivo para reiterar a autodeterminação e especificidade do homem branco como sujeito nacional.
This paper investigates how the account of national intimacy in Brazilian social thought has been structured by a haptic-sonic grammar inherited from colonization, in which white male touch instrumentalizes the bodies of Black and Indigenous women to accumulate power, sensibility, and identity. Drawing on Darcy Ribeiro’s O povo brasileiro ([1995] 2012) and Mestiço que é Bom! (1997), read in dialogue with Gilberto Freyre ([1933] 2003), I analyze how mestiçagem is narrated not as violence, but as a civilizing, affective, and foundational gesture of the Brazilian people. The work argues that accounts of desire and sexual access to non-white women — often narrated with humor and condescension — constitute updates of a tactile sovereignty that co-opts them as sensitive surfaces, property, and affective vectors through which the white man’s self-determination and specificity as the national subject are reiterated.
Este artículo investiga cómo la narración de la intimidad nacional en el pensamiento social brasileño ha sido estructurada por una gramática háptico-sónica heredada de la colonización, en la cual el toque masculino blanco instrumentaliza los cuerpos de mujeres negras e indígenas para acumular poder, sensibilidad e identidad. A partir de las obras O povo brasileiro ([1995] 2012) y Mestiço que é Bom! (1997), de Darcy Ribeiro, articuladas con Gilberto Freyre ([1933] 2003), analizo cómo el mestizaje es narrado no como violencia, sino como un gesto civilizador, afectivo y fundador del pueblo brasileño. Se argumenta que los relatos de deseo y acceso sexual a mujeres no blancas —frecuentemente narrados con humor y condescendencia— constituyen actualizaciones de una soberanía táctil que las coopta como superficie sensible, propiedad y vector afectivo para reiterar la autodeterminación y especificidad del hombre blanco como sujeto nacional.