Gramática da intimidade brasileira: Violência colonial, mestiçagem e autoridade háptica em Darcy Ribeiro

Revista Culturas Midiáticas

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ISSN: 1983-5930
Editor Chefe: Dra. Isabella Chianca Bessa Ribeiro do Valle
Início Publicação: 12/08/2008
Periodicidade: Semestral
Área de Estudo: Ciência da informação, Área de Estudo: Comunicação, Área de Estudo: Artes

Gramática da intimidade brasileira: Violência colonial, mestiçagem e autoridade háptica em Darcy Ribeiro

Ano: 2026 | Volume: 25 | Número: Não se aplica
Autores: BELO, Pollyane Silva
Autor Correspondente: BELO, Pollyane Silva | [email protected]

Palavras-chave: gramática da intimidade brasileira, mestiçagem, pensamento social brasileiro, soberania tátil, violência sexual colonial

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

Este artigo investiga como o relato da intimidade nacional no pensamento social brasileiro foi estruturado por uma gramática háptica-sônica oriunda da colonização, na qual o toque masculino branco instrumentaliza o corpo de mulheres negras e indígenas para acumular poder, sensibilidade e identidade. A partir das obras O povo brasileiro ([1995] 2012) e Mestiço que é Bom! (1997), de Darcy Ribeiro, articuladas com Gilberto Freyre ([1933] 2003), analiso como a mestiçagem é narrada não como violência, mas como gesto civilizatório, afetivo e fundador do povo brasileiro. Argumenta-se que relatos de desejo e acesso sexual a mulheres não-brancas, frequentemente narrados com humor e condescendência, são atualizações de uma soberania tátil que as coopta como superfície sensível, propriedade e vetor afetivo para reiterar a autodeterminação e especificidade do homem branco como sujeito nacional.



Resumo Inglês:

This paper investigates how the account of national intimacy in Brazilian social thought has been structured by a haptic-sonic grammar inherited from colonization, in which white male touch instrumentalizes the bodies of Black and Indigenous women to accumulate power, sensibility, and identity. Drawing on Darcy Ribeiro’s O povo brasileiro ([1995] 2012) and Mestiço que é Bom! (1997), read in dialogue with Gilberto Freyre ([1933] 2003), I analyze how mestiçagem is narrated not as violence, but as a civilizing, affective, and foundational gesture of the Brazilian people. The work argues that accounts of desire and sexual access to non-white women — often narrated with humor and condescension — constitute updates of a tactile sovereignty that co-opts them as sensitive surfaces, property, and affective vectors through which the white man’s self-determination and specificity as the national subject are reiterated.



Resumo Espanhol:

Este artículo investiga cómo la narración de la intimidad nacional en el pensamiento social brasileño ha sido estructurada por una gramática háptico-sónica heredada de la colonización, en la cual el toque masculino blanco instrumentaliza los cuerpos de mujeres negras e indígenas para acumular poder, sensibilidad e identidad. A partir de las obras O povo brasileiro ([1995] 2012) y Mestiço que é Bom! (1997), de Darcy Ribeiro, articuladas con Gilberto Freyre ([1933] 2003), analizo cómo el mestizaje es narrado no como violencia, sino como un gesto civilizador, afectivo y fundador del pueblo brasileño. Se argumenta que los relatos de deseo y acceso sexual a mujeres no blancas —frecuentemente narrados con humor y condescendencia— constituyen actualizaciones de una soberanía táctil que las coopta como superficie sensible, propiedad y vector afectivo para reiterar la autodeterminación y especificidad del hombre blanco como sujeto nacional.