Gênero e produção: por uma história econômica sensível às desigualdades estruturais

Revista Ágora

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ISSN: 1980-0096
Editor Chefe: Adriana Pereira Campos e Kátia Sausen da Motta
Início Publicação: 01/01/2005
Periodicidade: Anual
Área de Estudo: Ciências Humanas, Área de Estudo: História

Gênero e produção: por uma história econômica sensível às desigualdades estruturais

Ano: 2025 | Volume: 36 | Número: Não se aplica
Autores: L. E. S. de Souza, P. D. C. Carreiro
Autor Correspondente: L. E. S. de Souza | [email protected]

Palavras-chave: História econômica;gênero;trabalho;economia feminista; reprodução social.

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

Este artigo propõe refletir sobre a inserção dos estudos de gênero no campo da História Econômica como uma inflexão epistemológica e não apenas como ampliação temática. Argumenta-se que a historiografia econômica tradicional negligenciou as relações de gênero nos sistemas produtivos e distributivos, reforçando uma suposta neutralidade analítica. A proposta articula a crítica feminista à economia política com a renovação historiográfica dos Annales, especialmente em relação à longa duração e às estruturas sociais. Autoras como Joan Scott, Silvia Federici e Maria Mies são mobilizadas para evidenciar como as hierarquias de gênero, classe e raça estruturam as dinâmicas econômicas. Com base em exemplos da história do trabalho feminino no Brasil, da economia escravista e das economias domésticas contemporâneas, o artigo defende a ampliação do conceito de “produção econômica” para incluir o trabalho reprodutivo, os cuidados e a informalidade. Busca-se, assim, renovar criticamente a História Econômica e dialogar com debates sobre justiça e reconhecimento.



Resumo Inglês:

This article reflects on the incorporation of gender studies into the field of Economic History as an epistemological shift, not merely a thematic expansion. It argues that traditional economic historiography has neglected the role of gender relations in shaping productive and distributive systems, reinforcing an apparent analytical neutrality. The proposal combines feminist critiques of political economy with the historiographical renewal of the Annales school, especially regarding long-term structures andsocial foundations. Authors such as Joan Scott, Silvia Federici, and Maria Mies are referenced to demonstrate how gender, class, and racial hierarchies shape economic dynamics. Drawing on examples from women's labor history in Brazil, the slave-based economy, and contemporary domestic economies, the article advocates for expanding the concept of “economic production” to include reproductive labor, care work, and informality. In doing so, it seeks to critically renew Economic History, making it more responsive to social change and aligned with contemporary debates on justice and recognition.



Resumo Espanhol:

Este artículo propone reflexionar sobre la inserción de los estudios de género en el campo de la Historia Económica como una inflexión epistemológica y no solo como una ampliación temática. Se argumenta que la historiografía económica tradicional ha descuidado las relaciones de género en los sistemas productivos y distributivos, reforzando una supuesta neutralidad analítica. La propuesta articula la crítica feminista a la economía política con la renovación historiográfica de los Annales, especialmente en relación con la larga duración y las estructuras sociales. Autoras como Joan Scott, Silvia Federici y Maria Mies son movilizadas para evidenciar cómo las jerarquías de género, clase y raza estructuran las dinámicas económicas. Con ejemplos de la historia del trabajo femenino en Brasil, de la economía esclavista y de las economías domésticas contemporáneas, el artículo defiende la ampliación del concepto de “producción económica” para incluir el trabajo reproductivo, los cuidados y la informalidad. De este modo, se busca renovar críticamente la Historia Económica y dialogar con debates sobre justicia y reconocimiento.