O presente artigo desenvolve uma análise crítico-histórica da arte urbana enquanto forma contínua de produção simbólica no espaço coletivo, evidenciando sua permanência como prática antropológica que atravessa diferentes períodos históricos. Partindo das pinturas rupestres, compreendidas como sistemas simbólicos complexos de mediação social e cosmológica, o estudo avança para o muralismo moderno, no qual a arte assume papel explicitamente político e pedagógico no espaço urbano, e culmina no grafismo contemporâneo, marcado por processos de hibridação cultural, globalização e disputas simbólicas. A pesquisa adota abordagem qualitativa, com base em revisão bibliográfica interdisciplinar, articulando contribuições da teoria crítica, sociologia urbana e antropologia cultural. Autores como Walter Benjamin, Henri Lefebvre, Pierre Bourdieu, Néstor García Canclini, Jacques Rancière, Michel de Certeau e David Harvey fundamentam a análise, permitindo compreender a arte urbana como prática inserida em campos de poder, produção do espaço e regimes de visibilidade. O artigo problematiza, ainda, a distinção entre grafismo e pichação, evidenciando que tal diferenciação não é meramente estética ou jurídica, mas resulta de processos sociais de legitimação e exclusão. Conclui-se que a arte urbana constitui um campo de disputa simbólica no qual se articulam resistência, institucionalização e mercantilização, revelando-se fundamental para a compreensão das dinâmicas contemporâneas do espaço urbano.