Este artigo analisa criticamente a organização do tempo na Educação Infantil e seus impactos sobre as experiências educativas vividas por bebês e crianças. A partir de uma abordagem teórico-reflexiva, problematiza-se a rigidez das rotinas escolares e a influência da lógica social da aceleração e da produtividade na constituição do cotidiano educativo, evidenciada pela metáfora da “corrida dos ratos”. O estudo fundamenta-se em autores que discutem tempo, experiência e infância, bem como em documentos normativos da educação brasileira, para evidenciar como a fragmentação do tempo pode silenciar necessidades fundamentais da infância, como o brincar, o ócio criativo, o descanso e a escuta dos ritmos individuais. Em contraponto, dialoga-se com concepções dos povos originários, que compreendem o tempo de forma cíclica e integrada à natureza, como possibilidade de ressignificação das práticas escolares. Por fim, o artigo apresenta proposições pedagógicas e estruturais, tais como a flexibilização dos tempos de alimentação, a organização de múltiplos contextos na sala de referência e a redução do número de crianças por turma, compreendidas como condições para a humanização do cotidiano escolar. Conclui-se que repensar o tempo na Educação Infantil constitui um imperativo ético e político para a garantia do direito das crianças a experiências educativas significativas e socialmente comprometidas.