Entre o encontro e a escrita: hospitalidade na pesquisa em comunicação

Revista Culturas Midiáticas

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ISSN: 1983-5930
Editor Chefe: Dra. Isabella Chianca Bessa Ribeiro do Valle
Início Publicação: 12/08/2008
Periodicidade: Semestral
Área de Estudo: Ciência da informação, Área de Estudo: Comunicação, Área de Estudo: Artes

Entre o encontro e a escrita: hospitalidade na pesquisa em comunicação

Ano: 2025 | Volume: 24 | Número: Não se aplica
Autores: MOURA, Renata Coutinho de, BRANDÃO, Vanessa Cardozo
Autor Correspondente: MOURA, Renata Coutinho de | [email protected]

Palavras-chave: hospitalidade, alteridade, ética, política, epistemologia

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

Este trabalho discute a escrita de si e a virada afetiva como métodos éticos, estéticos, políticos e de hospitalidade na pesquisa em Comunicação, os quais fundamentam uma pesquisa-ação, em desenvolvimento, com trabalhadoras sexuais trans e travestis. Articulando ação e reflexão, as abordagens desestabilizam hierarquias discursivas e valorizam a alteridade, visando impedir a redução dos sujeitos com quem pesquisamos a categorias teóricas e normativas. Fundamentado nos conceitos de alteridade (Emmanuel Lévinas) e hospitalidade (Jacques Derrida), o estudo reconhece a importância dos afetos e da vulnerabilidade de pesquisadores, evidenciando que a produção de conhecimento pode ser construída a partir de um comum, uma prática compartilhada de escuta e acolhimento. A escrita de si permite que o outro se inscreva em sua própria linguagem, sem imposições ou traduções que diluam sua singularidade. Esse gesto de abertura e hospitalidade convoca um compromisso ético da pesquisadora, que reconhece sua implicação em relação ao outro. Tal prática possibilita a construção de uma pesquisa realizada com os sujeitos e não sobre eles, ampliando os modos de saber, narrar, existir, transformar e se transformar.



Resumo Inglês:

This paper discusses self-writing and the affective turn as ethical, aesthetic, political and hospitality methods in Communication research, which underpin an action research project being developed with trans and transvestite sex workers. Articulating action and reflection, the approaches destabilize discursive hierarchies and value otherness, preventing the reduction of the subjects we research with to theoretical and normative categories. Based on the concepts of otherness (Emmanuel Lévinas) and hospitality (Jacques Derrida), the study recognizes the importance of the researcher's affections and vulnerability, showing that the production of knowledge can be built from a common, shared practice of listening and welcoming. Writing oneself allows others to inscribe themselves in their own language, without impositions or translations that dilute their uniqueness. This gesture of openness and hospitality calls for an ethical commitment from the researcher, who recognizes his or her implication in relation to others. A practice that enables the construction of research carried out with the subjects and not about them, expanding the ways of knowing, narrating, existing, transforming and transforming themselves.



Resumo Espanhol:

Este trabajo busca investigar la autoescritura y el giro afectivo como métodos éticos, estéticos, políticos y de hospitalidad en la investigación en Comunicación, que sustentan un proyecto de investigación-acción que se está desarrollando con trabajadoras del sexo y travestis transexuales. A la articular acción y reflexión, los enfoques desestabilizan las jerarquías discursivas y valoran la alteridad, impidiendola reducción de los sujetos con los que investigamos a categorías teóricas y normativas. A partir de los conceptos de alteridad (Emmanuel Lévinas) y hospitalidad (Jacques Derrida), el estudio reconoce la importancia de los afectos y la vulnerabilidad del investigador y de la investigadora, mostrando que la producción de conocimiento puede construirse a partir de una práctica común y compartida de escucha y acogida. Escribir uno mismo permite que otros se inscriban en su propio idioma, sin imposiciones ni traducciones que diluyan su unicidad. Este gesto de apertura y hospitalidad exige un compromiso ético por parte de la investigadora, que reconoce su implicación en relación con los demás. Una práctica que posibilita la construcción de investigaciones realizadas con los sujetos y no sobre ellos, ampliando las formas de conocerse, narrarse, existir y transformarse.