A educação inclusiva tem se consolidado como um dos princípios centrais da escola contemporânea, sobretudo após avanços legais e políticas públicas que ampliaram o direito de estudantes com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento e altas habilidades à escolarização. Entretanto, o cotidiano das escolas revela que a inclusão não depende apenas da matrícula; ela exige condições reais para que cada aluno participe, aprenda e desenvolva suas potencialidades. Nas últimas décadas, pesquisas nacionais e internacionais têm evidenciado que a escola pública brasileira enfrenta desafios estruturais, como a falta de formação continuada para professores, barreiras arquitetônicas e escassez de recursos de tecnologia assistiva. Soma-se a isso a pressão por resultados, a organização curricular fragmentada e a dificuldade em transformar práticas tradicionais de ensino. Apesar desses obstáculos, diversas experiências mostram que a inclusão é possível quando há compromisso coletivo, planejamento pedagógico colaborativo e uso de estratégias que consideram as singularidades dos estudantes. Iniciativas como salas de recursos multifuncionais, projetos interdisciplinares, adaptações curriculares, metodologias ativas, atividades mediadas por arte, música e linguagem visual, além do fortalecimento do trabalho entre professores da sala comum e professores do AEE, vêm criando condições mais concretas de participação e aprendizagem. Este artigo analisa, com base em produção científica recente (2020–2025) e documentos oficiais, os principais entraves e as oportunidades que emergem na construção de uma escola mais democrática. A partir disso, discute como a inclusão pode ser compreendida como um processo contínuo, que exige não apenas políticas e recursos, mas mudança cultural, revisão de práticas e valorização da diversidade como elemento constitutivo da educação contemporânea.