A diversidade linguística constitui um dos aspectos mais relevantes da língua portuguesa, uma vez que reflete as múltiplas realidades sociais, culturais, históricas e regionais dos falantes, evidenciando o caráter dinâmico e heterogêneo da linguagem (BORTONI-RICARDO, 2004). No contexto educacional brasileiro, entretanto, ainda se observa a predominância da norma padrão como principal referência no ensino da língua, especialmente nos materiais didáticos utilizados na educação básica, o que pode contribuir para a desvalorização das variantes linguísticas e para a reprodução do preconceito linguístico (BAGNO, 2007). Nesse cenário, a escola, que deveria atuar como espaço de valorização das diferenças, muitas vezes reforça práticas excludentes ao priorizar apenas uma forma de uso da língua, desconsiderando a diversidade presente no cotidiano dos estudantes (ANTUNES, 2003). Diante dessa problemática, o presente artigo tem como objetivo analisar criticamente a forma como a diversidade linguística é abordada nos materiais didáticos e discutir suas implicações no processo de ensino-aprendizagem, destacando os desafios e as possibilidades de construção de uma educação linguística mais inclusiva (TRAVAGLIA, 2009). A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de natureza bibliográfica, fundamentada em autores da área da linguística e da educação, como Bagno (2007), Bortoni-Ricardo (2004), Antunes (2003) e Marcuschi (2008), cujas contribuições possibilitam uma análise aprofundada da temática (SEVERINO, 2007). Os resultados apontam que, embora haja avanços na inclusão da temática nos materiais didáticos, essa abordagem ainda ocorre de forma limitada e, muitas vezes, superficial, não sendo suficiente para promover uma efetiva valorização das diferentes variantes linguísticas (MARCUSCHI, 2008). Além disso, verifica-se que a atuação do professor é fundamental para mediar o uso desses materiais, promovendo uma prática pedagógica crítica que reconheça e valorize as diferentes formas de expressão dos alunos (TRAVAGLIA, 2009).Conclui-se que a valorização da diversidade linguística no ensino escolar é essencial para a construção de uma educação mais democrática, inclusiva e significativa, sendo necessário repensar tanto os materiais didáticos quanto as práticas pedagógicas adotadas em sala de aula, de modo a combater o preconceito linguístico e promover o respeito às diferenças (BAGNO, 2007).