Democracia delegativa para além da América Latina: um marco analítico para a extrema-direita contemporânea em perspectiva comparada

Revista Debates

Endereço:
Av. Bento Gonçalves 9500 - Prédio C2 sala 228
PORTO ALEGRE / RS
0
Site: http://www.revistadebates.ufrgs.br
Telefone: (51) 3308-6894
ISSN: 19825269
Editor Chefe: Marcello Baquero
Início Publicação: 30/11/2007
Periodicidade: Semestral
Área de Estudo: Ciência política

Democracia delegativa para além da América Latina: um marco analítico para a extrema-direita contemporânea em perspectiva comparada

Ano: 2026 | Volume: 20 | Número: 2
Autores: Ever Josue Fuentes Guevara
Autor Correspondente: Ever Josue Fuentes Guevara | [email protected]

Palavras-chave: populismo, ultradireita, o'donnell, autocratização, comparação

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

A democracia liberal enfrenta uma crise de legitimidade global caracterizada pela erosão dos controles institucionais e pela ascensão de projetos autocráticos. Apesar da vasta literatura sobre o tema, persiste uma lacuna na compreensão de como marcos teóricos gestados no Sul Global podem explicar fenômenos em democracias consolidadas. Este artigo aborda essa lacuna analisando a "exportabilidade" do conceito de democracia delegativa de Guillermo O'Donnell. Questiona-se: em que medida a lógica delegativa explica os mecanismos de concentração de poder da extrema direita contemporânea? Sob uma metodologia de análise qualitativa e um desenho de "casos mais diferentes" (Brasil, Argentina, Estados Unidos e Espanha), sustenta-se a hipótese de que esses movimentos utilizam uma lógica populista para transformar a legitimidade eleitoral em um mandato delegativo que desmantela os checks and balances. Os principais achados indicam que, embora a pulsão delegativa seja transversal, seu sucesso institucional depende da resiliência dos sistemas de justiça e das regras do sistema (presidencialismo versus parlamentarismo). O estudo conclui que o arcabouço de O'Donnell, em diálogo com as teorias de erosão democrática de Levitsky e Ziblatt, oferece uma sofisticação analítica superior para mapear os riscos da autocratização global.