Davidson e o obscurecimento do ceticismo por meio da linguagem

Revista Sísifo

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Editor Chefe: Yves São Paulo e Marcelo Vinicius
Início Publicação: 31/12/2014
Periodicidade: Semestral
Área de Estudo: Filosofia

Davidson e o obscurecimento do ceticismo por meio da linguagem

Ano: 2015 | Volume: 1 | Número: 1
Autores: J, O, A, Fagundes
Autor Correspondente: Yves São Paulo e Marcelo Vinicius | [email protected]il.com

Palavras-chave: Crença, Verdade, Davidson, Linguagem, Ceticismo

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

Este ensaio não é sobre torneios de Futebol, e peço desculpas aos que carregam alguma mágoa desse assunto pela maneira como estou começando. Ocorre que desde o início dos jogos, no último ano, minha amiga Margret dizia que a Alemanha ganharia a Copa do Mundo. Seu palpite estava certo, mas ela não acompanhava o futebol de seu país nem dos times rivais. Na verdade, ela sequer tinha o hábito de assistir a jogos futebol e mal conhecia as regras. Quando ela me contou sua crença, nós evidentemente sabíamos que não se tratava de conhecimento. Faltava algo que justificasse, de modo que a verdade da crença dela, após o resultado final dos jogos, nos pareceu fruto do acaso. Margret não entendia de futebol, mas mesmo que a mesma crença pertencesse a um grande expert, nós não a tomaríamos por justificada, já que há vários elementos imprevisíveis em um torneio de futebol.

Minha amiga e eu praticamente não temos mais pensado no resultado da Copa. A questão da justificação do conhecimento, por outro lado, por vezes volta a nos intrigar. Como nos mostra a crença de Margret, não basta termos uma crença verdadeira, é preciso que ela seja justificada, mas o que justificaria as nossas crenças? A cada instante, temos que tomar decisões baseadas em nossas experiências. Em geral, nós tendemos a confiar nessas decisões, mas se paramos para pensar sobre isso, ficamos com a dúvida: será que as crenças que fundamentam nossas tomadas de decisões estão justificadas? Se essa pergunta nos acompanhasse a todo instante, certamente não conseguiríamos levantar os pés do chão para dar um passo.