Das margens ao arquivo: contra-arquivo e contra-memória nos processos jurídico-militares da ditadura em Juiz de Fora

Lumina

Endereço:
FACOM - Universidade Federal de Juiz de ForaRua Professor Lourenço Kelmer, s/nCampus Martelos
Juiz de Fora / MG
36036-330
Site: https://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina
Telefone: (32) 2102-3601
ISSN: 19814070
Editor Chefe: Gabriela Borges Martins Caravela
Início Publicação: 31/05/2007
Periodicidade: Quadrimestral
Área de Estudo: Comunicação

Das margens ao arquivo: contra-arquivo e contra-memória nos processos jurídico-militares da ditadura em Juiz de Fora

Ano: 2026 | Volume: 20 | Número: Não se aplica
Autores: Ramsés Albertoni Barbosa
Autor Correspondente: Ramsés Albertoni Barbosa | [email protected]

Palavras-chave: ditadura civil-militar, contra-arquivo, contra-memória, comunicação, Juiz de Fora, civil military dictatorship, counter-archive, counter-memory, dictadura cívico-militar, contraarchivo, contramemoria

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

Este artigo investiga os usos políticos da memória a partir da análise de documentos produzidos por militantes políticos em Juiz de Fora nas décadas de 1960 e 1970, durante a ditadura civil-militar brasileira (1964-1985). A documentação da ditadura tem sido tradicionalmente abordada como fonte oficial da história, muitas vezes silenciando práticas de resistência e vozes dissidentes. A pesquisa adota como eixos teórico-conceituais os conceitos contra-arquivo e contra-memória, a fim de problematizar os modos institucionais de produção da verdade histórica e destacar as práticas discursivas de resistência invisibilizadas pelo regime. A análise se fundamenta nos Processos 5/69 e 32/70, produzidos sob vigilância, permitindo compreender os usos políticos da memória em contextos repressivos. O estudo examina três documentos, especificamente as edições dos jornais clandestinos O Porrete e Luta, e o manuscrito Até Sempre 3, interpretando-os como enunciados insurgentes que tensionam os regimes de verdade instituídos pelos arquivos oficiais. Com abordagem qualitativa e interdisciplinar, a análise revela que esses materiais não apenas resistem ao silenciamento histórico, como também operam simbolicamente na reconfiguração da memória coletiva e da narrativa histórica. Os resultados revelam que esses documentos atuam como enunciados insurgentes, capazes de tensionar os regimes de verdade instituídos pelos arquivos oficiais e de reconfigurar simbolicamente os sentidos da memória histórica. Conclui-se que tais práticas comunicacionais contribuem para ampliar a compreensão sobre os conflitos de memória em contextos autoritários, oferecendo narrativas alternativas ao silenciamento institucionalizado.



Resumo Inglês:

This article investigates the political uses of memory through the analysis of documents produced by political activists in Juiz de Fora during the 1960s and 1970s, under the Brazilian civil-military dictatorship (1964–1985). The documentation of the dictatorship has traditionally been approached as an official source of history, often silencing practices of resistance and dissident voices. The research adopts the theoretical-conceptual frameworks of counter-archive and counter-memory in order to question the institutional modes of producing historical truth and to highlight the discursive practices of resistance rendered invisible by the regime. The analysis is based on Processes 5/69 and 32/70, produced under surveillance, which allow for an understanding of the political uses of memory in repressive contexts. The study examines three documents, the clandestine newspapers O Porrete and Luta, and the manuscript Até Sempre 3, interpreting them as insurgent statements that challenge the regimes of truth established by official archives. With a qualitative and interdisciplinary approach, the analysis reveals that these materials not only resist historical silencing but also operate symbolically in the reconfiguration of collective memory and historical narrative. The results show that these documents act as insurgent enunciations capable of challenging the truth regimes established by official archives and of symbolically reconfiguring the meanings of historical memory. It is concluded that such communicational practices contribute to broadening the understanding of memory conflicts in authoritarian contexts, offering alternative narratives to institutionalized silencing.



Resumo Espanhol:

Este artículo investiga los usos políticos de la memoria a partir del análisis de documentos producidos por militantes políticos en Juiz de Fora durante las décadas de 1960 y 1970, en el contexto de la dictadura cívico-militar brasileña (1964-1985). La documentación de la dictadura ha sido tradicionalmente abordada como fuente oficial de la historia, a menudo silenciando prácticas de resistencia y voces disidentes. La investigación adopta como ejes teórico-conceptuales los conceptos de contraarchivo y contramemoria, con el fin de problematizar los modos institucionales de producción de la verdad histórica y destacar las prácticas discursivas de resistencia invisibilizadas por el régimen. El análisis se fundamenta en los Procesos 5/69 y 32/70, producidos bajo vigilancia, lo que permite comprender los usos políticos de la memoria en contextos represivos. El estudio examina tres documentos, específicamente las ediciones de los periódicos clandestinos O Porrete y Luta, y el manuscrito Até Sempre 3, interpretándolos como enunciados insurgentes que tensionan los regímenes de verdad instituidos por los archivos oficiales. Con un enfoque cualitativo e interdisciplinario, el análisis revela que estos materiales no solo resisten el silenciamiento histórico, sino que también operan simbólicamente en la reconfiguración de la memoria colectiva y de la narrativa histórica. Los resultados muestran que estos documentos actúan como enunciados insurgentes, capaces de tensionar los regímenes de verdad instituidos por los archivos oficiales y de reconfigurar simbólicamente los sentidos de la memoria histórica. Se concluye que tales prácticas comunicacionales contribuyen a ampliar la comprensión sobre los conflictos de memoria en contextos autoritarios, ofreciendo narrativas alternativas al silenciamiento institucionalizado.