DA VOX AO VERBUM IN CORDE: NOTAS SOBRE A LINGUAGEM MENTAL NO SERMÃO 288 DE AGOSTINHO DE HIPONA

Basilíade

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ISSN: 2596-092X
Editor Chefe: Irineu Letenski
Início Publicação: 27/01/2019
Periodicidade: Semestral
Área de Estudo: Filosofia

DA VOX AO VERBUM IN CORDE: NOTAS SOBRE A LINGUAGEM MENTAL NO SERMÃO 288 DE AGOSTINHO DE HIPONA

Ano: 2021 | Volume: 3 | Número: 5
Autores: Diego Fragoso Pereira
Autor Correspondente: D. F. Pereira | [email protected]

Palavras-chave: Linguagem mental, verbum in corde, propriedades, Sermão 288

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

Este artigo tem como objetivo analisar o Sermão 288, de Agostinho de Hipona, extraindo dali algumas notas características do chamado uerbum in corde ou uerbum cordis, que constitui parte da linguagem mental. Linguagem mental ou discurso interior é a parte da filosofia que procura explicar as atividades mentais que antecedem a linguagem falada e escrita ou, de um modo mais geral, os sinais, os sons e os gestos. Embora não seja de modo sistematizado, esse tema aparece em vários escritos de Agostinho. No Sermão 288, o uerbum pode ser de dois tipos: aquele que é proferido por meio de som e aquele que é concebido no interior do coração. A escrita é um signum do som. Em Agostinho, o uerbum in corde ou uerbum cordis possui a propriedade de significar, de ser concebido no coração, de ser conservado na memória, de viver no entendimento, de não pertencer a nenhuma língua, de permanecer íntegro no coração, de se servir do auxílio do som para se dar a conhecer a um determinado ouvinte e de ser anterior a todas as línguas, uma vez que a todas antecede. O uerbum in corde agostiniano exemplifica a linguagem mental na sua vertente latina, originada por questões teológicas acerca da Encarnação.



Resumo Inglês:

This article aims at analyzing Augustine’s Sermon288 and extracting from there some characteristic notes of the so-called uerbum in cordeor uerbum cordis, which is part of the mental language. Mental language or inner speech is a part of philosophy which explains the mental activities that precede spoken and written language or, more generally, signs, sounds and gestures. Although not systematically, this theme appears in several of Augustine’s works. In Sermon288, the uerbumcan be twofold: one that is uttered through sound and one that is conceived within the heart. Writing is a signumof sound. In Augustine, the uerbum in cordeor uerbum cordishas the property to mean, to be conceived in the heart, to be kept in memory, to live in understanding, to not belong to any language, to remain whole in the heart, to use sound aid to make itself known to a specific listener and to be prior to all languages, since it precedes them all. The Augustinian uerbum in cordeexemplifies mental language in its Latin aspect, originated by theological questions about theIncarnation.