Este artigo articula contribuições teóricas contemporâneas com a observação de práticas curatoriais recentes para melhor compreender as especificidades da curadoria em cinema. Argumenta-se que a curadoria constitui um campo dialógico, onde vetores de legitimação e experimentação estética coexistem dinamicamente. A pesquisa propõe as categorias seletiva e propositiva da curadoria como forma de abordagem das dinâmicas em jogo nesse ofício — algumas vezes lidando com um universo limitado e já dado de filmes, como nos editais de festivais, outras vezes partindo de hipóteses e buscando ativamente as obras, como em mostras específicas. Nesse processo, seleção e proposição emergem não como polos opostos, mas como formas de atuação e agenciamento de dimensões interdependentes, capazes de tensionar e renovar os modos de organizar a experiência fílmica. A partir de entrevistas com curadores brasileiros e da observação de diferentes festivais e mostras, são discutidas as distintas abordagens curatoriais, ora baseadas em critérios objetivos de seleção, ora guiadas por hipóteses conceituais e proposições temáticas. Observa-se que o curador assume um papel ativo na mediação entre filmes e espectadores, criando percursos interpretativos e sugerindo novas formas de leitura. A curadoria, nesse sentido, ultrapassa o simples recorte de obras e se consolida como prática crítica e discursiva. Especialmente no contexto contemporâneo de excesso de produção audiovisual e instabilidade nas políticas culturais, refletir sobre os modos de curar filmes é também pensar nos caminhos possíveis para dar visibilidade à diversidade estética e política do cinema.
This article articulates contemporary theoretical contributions with the observation of recent curatorial practices to better understand the specificities of film curation. It argues that curation constitutes a dialogical field, where vectors of legitimation and aesthetic experimentation dynamically coexist. The research proposes the categories of selective and propositional curation as an approach to the dynamics at play in this practice — sometimes dealing with a limited and pre-existing universe of films, as in festival calls for entries, and at other times starting from hypotheses and actively seeking out works, as in thematic film programs. In this process, selection and proposition emerge not as opposing poles, but as interdependent dimensions capable of challenging and renewing the ways of organizing filmic experience. Drawing from interviews with Brazilian curators and the observation of various festivals and showcases, the article discusses different curatorial approaches — sometimes based on objective selection criteria, at other times guided by conceptual hypotheses and thematic propositions. It is observed that the curator assumes an active role in mediating between films and audiences, creating interpretive paths and suggesting new ways of reading. In this sense, curation goes beyond the mere selection of works and is consolidated as a critical and discursive practice. Especially in the contemporary context of audiovisual overproduction and instability in cultural policies, reflecting on the modes of curating films also means thinking about the possible paths to give visibility to the aesthetic and political diversity of cinema.
Este artículo articula contribuciones teóricas contemporáneas con la observación de prácticas de curaduría recientes para comprender mejor las especificidades de la curaduría en el cine. Se argumenta que la curaduría constituye un campo dialógico, donde los vectores de legitimación y experimentación estética coexisten dinámicamente. La investigación propone las categorías selectiva y propositiva de la curaduría como forma de abordar las dinámicas en juego en este oficio, a veces lidiando con un universo limitado y ya dado de películas, como en las convocatorias de festivales, otras veces partiendo de hipótesis y buscando activamente las obras, como en muestras específicas. En este proceso, la selección y la propuesta surgen no como polos opuestos, sino como formas de actuación y agencia de dimensiones interdependientes, capaces de tensionar y renovar las formas de organizar la experiencia fílmica. A partir de entrevistas con curadores brasileños y de la observación de diferentes festivales y muestras, se discuten los distintos enfoques de curaduría, a veces basados en criterios objetivos de selección, a veces guiados por hipótesis conceptuales y propuestas temáticas. Se observa que el curador asume un papel activo en la mediación entre las películas y los espectadores, creando recorridos interpretativos y sugiriendo nuevas formas de lectura. La curaduría, en este sentido, va más allá de la simple selección de obras y se consolida como una práctica crítica y discursiva. Especialmente en el contexto contemporáneo de exceso de producción audiovisual e inestabilidad en las políticas culturales, reflexionar sobre las formas de curar películas es también pensar en las posibles vías para dar visibilidad a la diversidad estética y política del cine.