O artigo analisa comparativamente a retórica da crise nos programas partidários de cinco partidos de extrema-direita europeia: Alternative für Deutschland (Alemanha), Rassemblement National (França), Vlaams Belang (Bélgica), Partij voor de Vrijheid (Países Baixos) e Lega per Salvini Premier (Itália). A pesquisa adota uma abordagem qualitativa comparada, orientada pela análise interpretativa de discursos políticos, e busca compreender como a ideia de crise é mobilizada como instrumento de poder simbólico e moral. Argumenta-se que a crise, nesses contextos, não é apenas uma descrição da realidade, mas uma estrutura narrativa que organiza afetos, legitima a autoridade e define os contornos da identidade nacional. O estudo mostra que os partidos analisados articulam soberania, identidade, moral e medo como base de uma gramática política comum diante da globalização e do multiculturalismo. Esse conjunto discursivo converte insegurança em pertencimento e apresenta a restauração como resposta às incertezas contemporâneas.