CONSTITUIÇÃO DA VIDA, HÁBITOS MENTAIS E INSTITUIÇÕES SOCIAIS

Revista De Filosofia E Psicanálse Natureza Humana

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ISSN: 2175-2834
Editor Chefe: Zeljko Loparic
Início Publicação: 31/05/2015
Periodicidade: Semestral
Área de Estudo: Filosofia

CONSTITUIÇÃO DA VIDA, HÁBITOS MENTAIS E INSTITUIÇÕES SOCIAIS

Ano: 2018 | Volume: 20 | Número: 1
Autores: Michele Maiese
Autor Correspondente: Michele Maiese | [email protected]

Palavras-chave: enativismo; neoliberalismo; educação superior; cognição corporificada; hábitos; normas sociais

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

De acordo com a visão enativista da mente, há uma conexão muito próxima entre estar vivo e ser capaz de cognição: estar vivo é ser capaz de envolvimentos cognitivos. O organismo vivo não recebe passivamente, nem processa os estímulos do mundo externo; em vez disto, ajuda a determinar o que conta como informação útil na base de sua estrutura, necessidades, bem como o modo como está estruturalmente ligado a seu ambiente. A doação de sentido é o processo pelo qual ele interpreta os estímulos ambientais em referência a suas necessidades de sobrevivência. Contudo, avaliar o sentido e o significado em um mundo social complexo como o nosso vai muito além da mera sobrevivência e automanutenção e tem muito a ver com adaptar-se e sair-se bem em um contexto sociocultural específico. Para alcançar seus objetivos, os seres humanos precisam de movimentos coordenados que levam à formação de padrões internos de envolvimento e resposta. Com o passar do tempo, esses padrões característicos de movimento e comportamento tornam-se mais enraizados e acabam por abranger o modo de doação de sentido habitual de um indivíduo. O aprendizado e a socialização desempenham um papel significativo, e os hábitos mentais são formados por meio da interação entre valores, normas culturais e as outras pessoas. Uma vez formados e enraizados os hábitos, tem-se o sentido pelo qual as normas sociais são internalizadas e sedimentadas no corpo. Cognição e afetividade podem ser compreendidas assim como socialmente inculcadas e em larga medida moduladas por relacionamentos e normas. Essa influência ambiental pode tanto (i) cultivar hábitos mentais adaptativos que promovam o florescimento humano quanto (ii) contribuir para hábitos mentais mal-adaptados, que alienam as pessoas afastando-as das necessidades humanas mais profundas e interferem no bem-estar geral. A faculdade ou a universidade constituem locais em que os hábitos mentais são profundamente modulados. Dentro das instituições educacionais orientadas pela ideologia neoliberal, os indivíduos são habituados a padrões tóxicos de interação e de avaliação. Em vez de cultivarem o pensamento crítico e a promoção da autorrealização, essas instituições frequentemente solapam tais capacidades. As faculdades e universidades nas democracias neoliberais contemporâneas, tais como nos Estados Unidos, oferecem-nos um exemplo poderoso de como as instituições sociais às vezes servem para cultivar hábitos mentais que impedem o florescimento humano.



Resumo Inglês:

According to the enactivist view of the mind, there is close connection between being alive and being cognitive: to be alive is to be capable of cognitive engagements. The living organism does not passively receive and process stimuli from an external world, but rather helps to determine what counts as useful information on the basis of its structure, needs, and the way that it is structurally coupled with its surroundings. Sense-making is the process whereby it interprets environmental stimuli in reference to its survival needs. However, gauging meaning and significance in a complex social world such as ours goes well beyond mere survival and selfmaintenance, and has much to do with adapting and faring well in a specific socio-cultural context. The achievement of human goals requires coordinated movement, which leads to the formation of built-up patterns of engagement and response. Over time, these characteristic patterns of movement and behavior become more engrained and come to comprise an individual’s habitual manner of sense-making. Learning and socialization play a significant role, and habits of mind are formed via interaction with values, cultural norms, and other people. Once habits form and become more engrained, there is a sense in which social norms are internalized and sedimented in the body. Cognition and affectivity therefore are best seen as socially embedded and heavily modulated by relationships and norms. This environmental influence can either (i) cultivate adaptive habits of mind that promote human flourishing, or (ii) contribute to maladaptive habits of mind that alienate people from deep-rooted human needs and interfere with overall wellbeing. One setting in which habits of mind are profoundly modulated is the college or university. Inside higher educational institutions guided by neoliberal ideology, individuals are habituated to toxic interaction patterns and modes of valuation. Rather than cultivating critical thinking and promoting self-realization, these institutions often undermine such capacities. College and university settings in contemporary neoliberal democracies such as the United States thereby give us a powerful example of how social institutions sometimes serve to cultivate habits of mind that impede human flourishing.