O presente artigo analisa a violência no cotidiano escolar, compreendendo-a como um fenômeno complexo relacionado a fatores históricos, sociais, culturais e institucionais. Por meio de revisão bibliográfica e de um relato reflexivo fundamentado na experiência docente na Rede Municipal de Educação de São Paulo, são discutidas diferentes manifestações da violência, como bullying, cyberbullying, agressões verbais, psicológicas, físicas e patrimoniais, além do racismo e da xenofobia. O estudo aborda a influência das desigualdades sociais e das heranças autoritárias brasileiras nas relações escolares, considerando também os desafios decorrentes da vulnerabilidade social, das barreiras linguísticas e da fragilização do sentimento de pertencimento. A realidade local é apresentada como um contexto que demanda práticas pedagógicas sensíveis às condições de vida dos estudantes e à valorização da memória e da identidade territorial. Por fim, são discutidas possibilidades de enfrentamento da violência, com destaque para a formação docente, o acolhimento intercultural, a mediação de conflitos, a escuta ativa e a participação da comunidade escolar. Conclui-se que a construção de ambientes escolares seguros, inclusivos e democráticos requer ações contínuas e coletivas, capazes de fortalecer vínculos, prevenir violências e promover o respeito às diferenças e aos direitos humanos.