O presente artigo discute o uso do cinema na educação, destacando sua linguagem polissêmica e o papel mediador do professor no processo de ensino e aprendizagem. A Lei nº 13.006/2014 estabelece a obrigatoriedade da exibição de filmes de produção nacional nas escolas, ampliando as possibilidades de utilização do audiovisual como recurso pedagógico. Nesse contexto, o artigo propõe uma abordagem multidisciplinar entre Artes e História, fundamentada no projeto “Ver, Pensar e Criar: O Cinema como Janela para o Mundo”, desenvolvido no contraturno em uma escola municipal de São Paulo. A proposta busca estimular o olhar crítico, a criatividade e o protagonismo dos estudantes, contribuindo para o enfrentamento da dessensibilização associada ao isolamento digital. O estudo também resgata a trajetória do cinema educativo no Brasil, desde a criação do Instituto Nacional de Cinema Educativo (INCE), na década de 1930, até o movimento Cinema Novo, que valorizou a representação da realidade social brasileira, especialmente das populações periféricas. Como exemplo, analisa-se o filme Saneamento Básico, o Filme (2007), destacando sua metalinguagem e sua crítica às dificuldades de produção cinematográfica no país. A narrativa apresenta uma comunidade que decide produzir um filme para conseguir recursos destinados à construção de uma estrutura de saneamento básico, evidenciando o potencial simbólico, crítico e transformador da arte. Por fim, o artigo apresenta uma proposta de atividade pedagógica que explora essas questões com os estudantes, valorizando o cinema como instrumento de reflexão, expressão cultural e construção do conhecimento.