Na perspectiva histórico-social e cultural, a brincadeira é entendida como uma atividade cuja origem é semelhante à da arte. Trata-se de uma ação humana, essencialmente social, que depende de contextos coletivos e culturais nos quais a criança reconstrói a realidade por meio de sistemas simbólicos próprios. Ao mesmo tempo, é uma prática característica da infância, já que, ao longo da história, essa etapa da vida passou a ocupar um lugar específico e valorizado na sociedade. Ainda assim, alguns estudiosos relacionam o conceito de lúdico sobretudo ao jogo, investigando detalhadamente sua relevância no campo educacional. O brincar revela-se, portanto, como linguagem fundamental da infância. Por meio dele, as crianças expressam sentimentos, elaboram experiências, constroem significados e recriam a realidade a partir de suas vivências. As atividades lúdicas permitem que simbolizem aquilo que ainda não podem realizar concretamente, transformando desejos, frustrações e desafios em ações imaginárias que enriquecem seu repertório cultural e emocional. Para que esse potencial se concretize, torna-se imprescindível que o professor reconheça o valor pedagógico do lúdico, planejando e vivenciando práticas que integrem jogo, cuidado, interação e aprendizagem. A ludicidade não deve ser reduzida a passatempo, mas compreendida como estratégia estruturante do processo educativo.