Neste artigo, discutimos as relações entre as avaliações externas, a liberdade de cátedra e a ação docente nos primeiros anos do ensino fundamental, com base em pesquisas bibliográficas e documentos oficiais. O objetivo é investigar e compreender como os dados das avaliações em larga escala podem ser utilizados para apoiar o trabalho do professor e, ao mesmo tempo, limitar sua autonomia pedagógica quando transformados em metas, rankings, mecanismos de responsabilização ou referências curriculares prescritivas. A discussão destaca duas possibilidades: por um lado, os resultados das avaliações externas podem fornecer subsídios para o acompanhamento das trajetórias de aprendizagem, orientar o planejamento, influenciar estratégias didáticas e apoiar a avaliação institucional e a autoavaliação; por outro, quando interpretados de maneira reducionista, podem intensificar a performatividade, pressionar os professores a ensinar para os testes, estabelecer hierarquias curriculares e transferir para o ensino responsabilidades que cabem às políticas educacionais. Assim, no contexto da educação básica, argumentamos que a liberdade de cátedra, compreendida como liberdade de ensinar e autonomia pedagógica, não é incompatível com o uso de dados avaliativos. Cabe aos professores analisar criticamente essas informações e decidir quando, por que e como utilizá-las no planejamento pedagógico, considerando as necessidades dos estudantes e as particularidades do contexto escolar.