Ainda as indulgências: implicações ecumênicas

Perspectiva Teológica

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ISSN: 2176-8757
Editor Chefe: Francisco das Chagas de Albuquerque
Início Publicação: 31/12/1968
Periodicidade: Quadrimestral
Área de Estudo: Teologia

Ainda as indulgências: implicações ecumênicas

Ano: 2025 | Volume: 57 | Número: 2
Autores: Rudolf von Sinner
Autor Correspondente: Rudolf von Sinner | [email protected]

Palavras-chave: Ecumenismo. Indulgências. Penitência. Martim Lutero. Jubileu 2025.

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

O jubileu é uma bela oportunidade para refletir sobre as implicações do perdão, da reconciliação, e da esperança. Ao mesmo tempo, continua carregando consigo, desde o primeiro jubileu de 1300, o cada vez mais incômodo conceito e a aparentemente ultrapassada prática das indulgências. Foi justamente esta que criou as 95 teses de Martim Lutero, propondo um debate que, ao ser refutado e excomungado seu autor, resultou na separação de caminhos e no surgimento de igrejas novas que reclamavam para si estar em melhor sintonia com a Sagrada Escritura do que a igreja existente. Não se trata de um dogma nem de uma doutrina de alta importância na hierarquia das verdades, e de uma prática provavelmente cada vez menos compreendida pelo povo católico. Continua, no entanto, incomodando as relações ecumênicas. Baseada em documentos do magistério e abordagens teológicas católicas e evangélicas, o presente artigo reflete, inicialmente, de forma mais ampla sobre o jubileu ordinário atual e seu antecessor de 2000, traça uma análise da bula do papa Francisco, destaca questões críticas do debate sobre as indulgências e apresenta uma visão luterana do tema para, concluindo, conduzir uma conversação ecumênica destacando o potencial caráter terapêutico da igreja, enquanto não vê espaço para indulgências na teologia e igreja atuais.



Resumo Inglês:

The jubilee is a beautiful opportunity to reflect on the implications of forgiveness, reconciliation and hope. At the same time, since the first jubilee in 1300, it has carried with it the increasingly uncomfortable concept and seemingly outdated practice of indulgences. It was precisely this that created Martin Luther’s 95 Theses, proposing a debate which, when its author was refuted and excommunicated, resulted in the parting of ways and the emergence of new churches that claimed to be better in tune with Sacred Scripture than the existing church. This is neither a dogma nor a doctrine of high importance in the hierarchy of truths, and a practice probably less and less understood by the Catholic people. Notwithstanding, it continues to trouble ecumenical relations. Based on documents from the magisterium and Catholic and Protestant theological approaches, this article initially reflects more broadly on the current ordinary jubilee and its 2000 predecessor, analyses Pope Francis’ bull, highlights critical issues in the debate on indulgences and presents a Lutheran view of the issue, and concludes by promoting an ecumenical conversation highlighting the potential therapeutic character of the church, while seeing no room for indulgences in today’s theology and church.