“Sentimos que nossa força está no chão de fábrica”: dualismo, poder do chão de fábrica e reforma das leis do trabalho no fim do apartheid na África do Sul

Mundos do Trabalho

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Programa de Pós-Graduação em História – CFH, Campus Universitário – UFSC, Bairro Trindade
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Telefone: (48) 3721-9359
ISSN: 19849222
Editor Chefe: Aldrin A. S. Castellucci
Início Publicação: 31/05/2009
Periodicidade: Anual
Área de Estudo: História

“Sentimos que nossa força está no chão de fábrica”: dualismo, poder do chão de fábrica e reforma das leis do trabalho no fim do apartheid na África do Sul

Ano: 2020 | Volume: 12 | Número: Não se aplica
Autores: Alex Lichtenstein
Autor Correspondente: Alex Lichtenstein | [email protected]

Palavras-chave: sindicatos, História, África do Sul, negociação coletiva; corporativismo, relações de trabalho na indústria, leis trabalhistas, Apartheid

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

Este artigo explora a transformação das relações de trabalho sul-africanas durante os anos 80. Em 1979, motivada pela nova militância de chão de fábrica, a Comissão Wiehahn recomendou que os trabalhadores negros, anteriormente excluídos da maquinaria de trabalho do Estado, fossem autorizados a se unir a sindicatos reconhecidos. A maioria das discussões sobre essa mudança nas relações de trabalho do apartheid concentra-se no debate que se seguiu dentro dos sindicatos negros, divididos entre preservar sua independência ou assegurar a legitimação do Estado. Este artigo examina, em vez disso, o debate sobre os “níveis de negociação”: se os sindicatos negros emergentes exigissem negociar no nível da fábrica, onde eles teriam garantida a força do chão de fábrica por meio da organização e da prática democrática, ou buscariam os benefícios das estruturas corporativas de negociação, que há muito tempo privilegiava trabalhadores brancos? A eventual tendência para o corporativismo, eu argumento, imprimiu o caráter do movimento trabalhista sul-africano na era pós-apartheid. Um desejo compreensível de exercer influência na política econômica nacional corroeu a tradição de controle dos trabalhadores, a democracia do chão de fábrica e o sindicalismo de luta que os sindicatos negros haviam forjado durante as décadas de 1970 e 1980.



Resumo Inglês:

This article explores the transformation of South African labor relations during the 1980s. In 1979, prompted by new shop-floor militancy, the Wiehahn Commission recommended that black workers, previously excluded from state labor machinery, be permitted to join recognized unions. Most discussions of this shift in apartheid labor relations focus on the ensuing debate within the black unions, torn between preserving their independence or securing state legitimation. This article looks instead at the related debate about “levels of bargaining”: should emergent black unions demand to negotiate at the factory level, where they had secured shop-floor strength through organizing and democratic practice, or pursue the benefits of the corporatist bargaining structures that had long privileged white workers? The eventual drift towards corporatism, I argue, imprinted the character of the South African labor movement into the post-apartheid era. An understandable desire to wield influence at the level of the national political economy eroded the tradition of workers’ control, shop floor democracy, and struggle unionism that black unions had forged during the 1970s and 1980s.