A não maternidade tem se tornado uma opção crescente no Brasil, onde atualmente 37% das mulheres encontram-se nesse grupo. Este artigo teve como objetivo levantar quais aspectos subjetivos estão envolvidos nessa opção. Tratou-se de pesquisa qualitativa, na qual foram realizadas entrevistas semiestruturadas com dez mulheres, convocadas a partir da técnica “Bola de Neve” (Snowball Sample), sendo cinco brancas e cinco negras, de diversas orientações sexuais e classes sociais, sem problemas de fertilidade e que escolheram não ter filhos. As entrevistas foram submetidas à Análise de Conteúdo (Bardin, 1977) e foram elencadas quatro categorias. Os resultados apontam que essas mulheres percebem a maternidade como um lugar de grande exigência social e forte renúncia dos projetos pessoais, para além de projetos profissionais. O não desejo de maternidade é ainda estigmatizado socialmente, e as maiores cobranças pela maternidade são feitas a mulheres heterossexuais. Novos estudos a partir da perspectiva de gênero são recomendados.
Non-maternity has become a growing option in Brazil, where currently 37% of women are in this group. This article aimed to raise which subjective aspects are involved in this option. It was qualitative research, in which interviews were carried out with ten women selected using the “Snowball Sample” technique, being five white and five black of different sexual orientations and social classes, with no fertility problems and voluntarily childless. The interviews were submitted to Content Analysis (Bardin, 1977), and four categories were listed. The results indicate that these women perceive motherhood as a place of great social demand and strong renunciation of personal and professional projects. The lack of desire for motherhood is still socially stigmatized, and the greatest demands for motherhood are made to heterosexual women. New studies from a gender perspective are recommended.
La no maternidad se ha convertido en una opción creciente en Brasil, donde actualmente 37% de las mujeres están en este grupo. Este artículo tuvo como objetivo plantear qué aspectos subjetivos están involucrados en esta opción. Fue una investigación cualitativa. Se realizaron entrevistas semiestructuradas a diez mujeres convocadas a partir de la técnica de muestreo “Bola de Nieve” (Snowball Sample), siendo cinco blancas y cinco negras, de diferente orientaciones sexuales y clases sociales, sin problemas de fertilidad, que optaron por no tener hijos. Las entrevistas se sometieron a Análisis de Contenido (Bardin, 1977), y se enumeraron cuatro categorías. Los resultados indican que estas mujeres perciben la maternidad como un lugar de gran demanda social y fuerte renuncia a proyectos personales y profesionales. El no deseo por la maternidad sigue siendo socialmente estigmatizado, y las mayores demandas de maternidad se hacen a mujeres heterosexuales. Se recomiendan nuevos estudios desde una perspectiva de género.