Durante a pandemia do covid-19, a experiência do processo de luto pela morte de um ente próximo foi drasticamente alterada, comprometendo a elaboração da perda. Para descortinar essa realidade, objetivou-se descrever as experiências de perdas e do luto enfrentadas por brasileiros durante a pandemia. Realizou-se um estudo qualitativo, com 23 familiares enlutados pela perda de alguém significativo por covid-19. Os participantes responderam a dois instrumentos, os quais foram submetidos à análise textual utilizando o software IRaMuTeQ, complementada por análise de conteúdo. Os resultados organizaram-se em quatro classes: 1) o momento do diagnóstico: “Só ela testou positivo, mais ninguém”, sinalizando as dificuldades iniciais para diagnóstico e o medo durante esse processo; 2) o processo de adoecimento e a hospitalização: “E aí ele piorou de um dia para o outro”, abordando o processo de adoecimento e isolamento; 3) o momento do óbito e a negação da morte: “Eu não achei que ele fosse morrer”, enfatizando o momento do óbito e a negação da morte por alguns familiares; e 4) o processo de luto e os impactos das supressões dos rituais fúnebres: “Quando ele morreu, todas as pessoas sumiram”, retratando o processo de luto e os impactos da supressão dos rituais fúnebres. Também foram identificadas diferenças nas evocações por vínculo familiar, tempo de luto e religião. Conclui-se que a supressão dos rituais fúnebres de despedida pode impactar o processo de luto, ressaltando a importância de desenvolver intervenções para prevenir agravos à saúde.
During COVID-19, the experience of the mourning process for the death of a close person was drastically altered, compromising the elaboration of the loss. To uncover this reality, the aim was to describe the experiences of loss and grief faced by Brazilians during the pandemic. A qualitative study was conducted, involving 23 bereaved family members who lost someone significant to COVID-19. Participants responded to two instruments, which were textually analyzed using the IRaMuTeQ software, complemented by content analysis. The results were organized into four classes: 1) the moment of diagnosis: “Only she tested positive, no one else”, signaling the initial difficulties in diagnosis and the fear during this process; 2) the process of illness and hospitalization: “And then he got worse from one day to the next”, addressing the process of illness and isolation; 3) the moment of death and denial of death: “I didn’t think he was going to die”, emphasizing the moment of death and the denial of death by some family members; and 4) the grieving process and the impacts of the suppression of funeral rituals: “When he died, all the people disappeared”, portraying the grieving process and the impacts of the suppression of funeral rituals. Differences in evocations by family connection, time of mourning and religion were also identified. It is concluded that the omission of farewell funeral rituals may have an impact on the grieving process, thereby underscoring the necessity of developing interventions to mitigate adverse health outcomes.
Durante la pandemia de COVID-19, la vivencia del proceso de duelo por la muerte de un ser cercano experimentó cambios significativos, comprometiendo la elaboración del duelo. Para develar esa realidad, el objetivo fue describir las experiencias de pérdida y duelo de los brasileños en la pandemia. Se realizó un estudio cualitativo, con 23 familiares en duelo que perdieron a alguien significativo por Covid-19. Los participantes respondieron a dos instrumentos, los cuales fueron analizados textualmente utilizando el software IRaMuTeQ, complementados con análisis de contenido. Los resultados se organizaron en cuatro clases: 1) el momento del diagnóstico: “Sólo ella dio positivo, nadie más”, señalando las dificultades iniciales en el diagnóstico y el miedo durante este proceso; 2) el proceso de enfermedad y hospitalización: “Y luego empeoró de un día para otro”, abordando el proceso de enfermedad y aislamiento; 3) el momento de la muerte y la negación de la muerte: “No pensé que iba a morir”, enfatizando el momento de la muerte y la negación de la muerte por parte de algunos familiares; y 4) el proceso de duelo y los impactos de la supresión de los rituales funerarios: “Cuando murió, toda la gente desapareció”, retratando el proceso de duelo y los impactos de la supresión de los rituales funerarios. También se identificaron diferencias en las evocaciones por vínculo familiar, tiempo de duelo y religión. Se concluye que la supresión de los rituales funerarios de despedida puede impactar el proceso de duelo, destacando la importancia de desarrollar intervenciones para prevenir problemas de salud.