A Educação Infantil, primeira etapa da educação básica, deve garantir às crianças experiências significativas que promovam o desenvolvimento integral em seus aspectos físico, emocional, social, cognitivo e cultural. Nesse contexto, as múltiplas linguagens assumem papel central como formas legítimas de expressão, comunicação e construção de sentidos no cotidiano educativo. O presente artigo tem como objetivo refletir sobre a importância das múltiplas linguagens na Educação Infantil, compreendendo-as como direito da criança e eixo estruturante do currículo, conforme estabelecido nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil e na Base Nacional Comum Curricular. Fundamentado em autores como Vygotsky, Wallon, Barbosa e Kishimoto, discute-se a concepção da criança como sujeito ativo, competente e produtor de cultura, cuja aprendizagem ocorre nas interações e brincadeiras. Abordam-se também os desafios enfrentados pelos educadores na valorização e escuta das diversas formas de linguagem — oral, corporal, plástica, musical, digital e simbólica — e a importância de uma prática pedagógica que reconheça e promova essas expressões. Ao considerar as múltiplas linguagens como caminhos para a participação, a autoria e a emancipação das crianças, defende-se uma abordagem educativa sensível, dialógica e democrática. Conclui-se que é urgente investir em propostas curriculares que contemplem a pluralidade da infância, promovendo uma educação que respeite as especificidades infantis e assegure o direito de aprender de forma plena e significativa.